Bioquímica do Alzheimer

“Como é terrível o dom do conhecimento, quando não serve a quem o tem!”

segunda-feira, 21 de maio de 2012

Medicamentos antidepressivos no tratamento de depressão para pacientes com Alzheimer



          Além dos medicamentos que atuam diretamente na doença de Alzheimer, como os inibidores de acetilcolinesterase e a memantina, que foram abordados nos posts anteriores, há também os medicamentos que atuam nas alterações comportamentais que surgem em decorrência dela. É importante ressaltar que medicamentos que tem como foco essas alterações devem ser usados somente depois de terem tentado orientar o paciente e resolver os problemas por meio do diálogo. Se optarem pelo uso dos medicamentos é necessário que haja uma reavaliação periódica deles.

          Entre as mudanças de comportamento relacionadas à doença estão a agitação, a agressividade, a depressão e as alterações súbitas de humor.


          A depressão é comum em pacientes com a doença de Alzheimer e existem diversos medicamentos antidepressivos disponíveis para o tratamento desse problema comportamental. A seleção do antidepressivo depende das características apresentadas pelo paciente, do perfil de tolerabilidade (envolvem os efeitos colaterais, entre outros) e ainda, de outras condições, como outras medicações que serão usadas concomitantemente.



           Os inibidores seletivos de recaptação de serotonina (ISRS) são muito usados no tratamento da depressão em idosos. A intenção desse tipo de medicamento é aumentar a concentração de serotonina (um neurotransmissor produzido no neurônio pré-sináptico) na sinapse do neurônio, por meio do bloqueio da recaptura de serotonina para o neurônio pré-sináptico. Dessa forma, aumenta-se a quantidade de serotonina na fenda sináptica, aumentando também o estímulo dos neurônios pós-sinápticos. Os ISRS podem ser utilizados em casos em que há inibição psicomotora e mostram melhoras nos sintomas da depressão e da ansiedade. Os efeitos colaterais relacionados aos ISRS são diarreias, vômitos, insônia, em alguns casos, há parkinsonismo. Entre os inibidores seletivos de recaptação de serotonina, a sertralina (de fórmula molecular C17H17Cl2N) e o citalopram (de fórmula molecular C20H21FN2O) devem ser priorizados, pois sua atividade de metabólitos é baixa e existe pouco risco de interações medicamentosas.


          Outro tipo de antidepressivo é o tricíclico, que atua como um modulador alostérico da recaptura de serotonina ou noradrenalina(outro neurotransmissor). A serotonina ou a noradrenalina são levadas de volta para o neurônio pré-sináptico quando se ligam ao sítio no transportador. O antidepressivo tricíclico se liga a um sítio alostérico que fica perto desse transportador da serotonina ou da noradrenalina, impedindo a ligação do neurotransmissor ao seu sítio transportador, o que faz com que ele não volte para o neurônio pré-sináptico.  Entre os efeitos colaterais dos antidepressivos tricíclicos estão a retenção urinária, hipotensão, visão borrada e ações anticolinérgicas, que é responsável por inibir a produção da acetilcolina, prejudicando a memória e o aprendizado.  Deve-se priorizar tricíclicos de aminas secundárias (nortriptilina e desipramina) em detrimento dos de aminas terciárias, pois apresentam melhor tolerabilidade. Os antidepressivos tricíclicos apresentaram bons resultados no tratamento da depressão em pacientes com demência. Há ainda os antidepressivos tetracíclicos, como a maprotilina e mianserina, ambos com a ação noradrenérgica, que bloqueiam a recaptação de noradrenalina. A mianserina apresenta ação anticolinérgica extremamente baixa e poucos efeitos em relação a pressão arterial, mas pode causar sedação, entre outros efeitos.

          Existem outros tipos de antidepressivos que serão descritos em posts futuros. É importante frisar que apesar de a depressão ser frequente em pacientes com doença de Alzheimer não são muitos os estudos realizados especificamente nesses casos.

Escrito por: Lorena Castelo Rodrigues

Fontes de pesquisa:

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